You are currently browsing the monthly archive for fevereiro 2010.

Era uma vez, uma menina que gostava de brincar, estudar, passear, criar, e também em alguns momentos, sonhar sozinha.

Sonhava com as histórias que ouvia, com as histórias que criava, que era vilã, que era mocinha e qual profissão iria escolher: Policial? Enfermeira? Bailarina? Médica? Secretária?…

– Sim! Secretária – decidiu.

Pegou algumas cadeiras, uma mesa, caderno, canetas. Chamou toda criançada para brincar.

Chamava-lhe  atenção que a secretária, dentre tantas funções, era também guardiã das chaves.

Como era fascinante!

Uma peça tão pequenina, mas que abre e fecha tão diferentes portas: armários, salas, carros, cofres…

Ela era tão maior que as chaves e mesmo assim, não conseguia abrir nenhuma sem elas. No máximo só conseguia ver o que permitia a fechadura.

Cada porta parecia envolta em mistérios, dentre os mais importantes: Qual é chave que a abre? O que ela protege?

Neste momento, a menina estava muito feliz por estar com aquele monte de chaves à sua disposição. Uma a uma ia procurando aquela que lhe ajudaria abrir as portas escolhidas.

Abriram e fecharam várias portas e descobriram algo importante: haviam chaves que abriam mais que uma porta.

Brincaram muito naquele dia.

Alguns dias depois, uma chave chamou sua atenção. Ficou algum tempo admirando.

 Era especial, única! Ficou encantada.

Diferente de todas que já havia encontrado.

Andou pela casa inteira e cada porta que encontrou, tentava abrir. Estava curiosa. Porém, para algumas fechaduras ela era grande ou pequena demais, fina ou grossa, curta ou longa. Não serviu em nenhuma porta.

Resolveu guarda-la.

E, num lindo dia de primavera, quando já não mais procurava, reparou numa porta enorme, toda entalhada, com um aroma muito agradável.

Como era bonita!

Sentiu que poderia ser esta a porta.

Pegou a chave, com cuidado a colocou na fechadura e serviu! Que surpresa maravilhosa. Finalmente saberá o que está além da porta.

Porém, ainda não foi nesta vez, pois a chave não virou.

Mas não perdeu as esperanças.

Pelo contrário, reacendeu o desejo de saber o que esta porta tão bela guarda e também, de encontrar a porta que esta chave tão especial abre.


por Suzy Belai

 

 Clarice Lispector

 

 

 

Faces de uma mesma mulher 

Especial!!!!  

 

 

 ______________________________

Não te amo mais

Estarei mentindo dizendo que

Ainda te quero como sempre quis

Tenho certeza que

Nada foi em vão

Sinto dentro de mim que

Você não significa nada

Não poderia dizer mais que

Alimento um grande amor

Sinto cada vez mais que

Já te esqueci!

E jamais usarei a frase

Eu te amo!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade

É tarde demais…

____________________________

Para mostrar a outra face, te convido para ler de baixo para cima.

O que torna cada pessoa única e inesquecível?

 

“A maioria das pessoas enxergam o mundo como ilusões, algumas outras enxergam a realidade, mas apenas os sábios tem a capacidade e vontade de transformar.” (Autor desconhecido)

Segue abaixo uma entrevista interessante que foi publicada na revista Veja (ed. 2142 – dez/09) com o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, onde mostra um pouco do que ele estuda sobre as relações familiares. Segundo ele, “aprender a lidar com o insucesso é fundamental para livrar-se de apuros na vida adulta”.

 
por Ronaldo Soares

Nos últimos trinta anos, o modelo tradicional de família passou por alterações significativas, principalmente no mundo ocidental. A ideia dos pais como senhores do destino dos filhos vem desabando progressivamente, no ritmo das transformações sociais. As consequências disso não são necessariamente ruins, como explica o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, uma das principais referências na Europa no estudo sobre mudanças nas relações entre pais e filhos: “O que vale é a capacidade dos pais de fazer os filhos crescer. Esse é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha”. Lebrun esteve no Rio de Janeiro, para participar do 3º Encontro Franco-Brasileiro de Psicanálise e Direito. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu a VEJA.

Por que os pais hoje têm tanta dificuldade de controlar seus filhos?
Isso é reflexo da perda de legitimidade. Até pouco tempo atrás, a sociedade era hierarquizada, de forma que havia sempre um único lugar de destaque. Ele podia ser ocupado por Deus, ou pelo papa, ou pelo pai, ou pelo chefe. Isso foi se desfazendo progressivamente, e o processo se acentuou nos últimos trinta anos. Hoje a organização social não está mais constituída como pirâmide, mas como rede. E na rede não existe mais esse lugar diferente, que era reconhecido espontaneamente como tal e que conferia autoridade aos pais. As dificuldades para impor limites se acentuaram, causando grande apreensão nas pessoas quanto ao futuro de seus filhos.

Existe uma fórmula para evitar que os filhos sigam por um caminho errado?
É preciso ensiná-los a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos. É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo. Às vezes é preciso lembrar coisas muito simples que as pessoas parecem ter esquecido completamente. Estamos como que dopados. Os pais sabem que as crianças não ficarão com eles a vida inteira, que não vão conseguir tudo o que sonharam, que vão estabelecer ligações sociais e afetivas que, por vezes, lhes farão mal, mas tentam agir como se não soubessem disso. Hoje os filhos se tornaram um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles.

Falando concretamente, como é possível perceber essa diferença no comportamento das famílias hoje?
A mudança é visível. Na Europa, por exemplo, quando um professor dá nota baixa a um aluno, é certo que os pais vão aparecer na escola no dia seguinte para reclamar com ele. Há vinte, trinta anos, era o aluno que tinha de dar satisfações aos pais diante do professor. É uma completa inversão. Posso citar outro exemplo. Desde sempre, quando se levam os filhos pela primeira vez à escola, eles choram. Hoje em dia, normalmente são os pais que choram. A cena é comum. É como se esses pais tivessem continuado crianças. Isso acontece porque eles não são capazes de se apresentar como a geração acima da dos filhos. É uma consequência desse novo arranjo social, em que os papéis estão organizados de forma mais horizontal.

Como o senhor avalia essa mudança? Esse novo arranjo é pior do que o anterior?
Hoje os pais precisam discutir tudo, negociar o que antes eram ordens definitivas. E isso não é necessariamente algo negativo, desde que fique claro que, depois de negociar, discutir, trocar ideias, quem decide são os pais.

Essas mudanças na estrutura social podem influenciar em aspectos negativos como, por exemplo, o uso abusivo de drogas?
Não há uma relação automática. Os mecanismos pelos quais os indivíduos se tornam dependentes químicos são diversos e complexos. A psicanálise ajuda a identificar alguns deles. Vou dar um exemplo. Manter uma criança em satisfação permanente, com sua chupeta na boca o tempo todo, fazendo por ela tudo o que ela pede, a impede de ser confrontada com a perda da satisfação completa. E isso vai ser determinante em sua formação.

Mas o que essa perda tem a ver com o fato de as pessoas enveredarem por um caminho autodestrutivo?
É uma anomalia no processo de humanização. Não nascemos humanos, nós nos tornamos. Isso ocorre quando aprendemos aquilo em que somos singulares entre todos os animais que habitam o planeta. Somos os únicos capazes de falar. Não se trata apenas de aprender ortografia ou usar as palavras corretamente. Quando dominamos a faculdade da linguagem, adquirimos uma série de características muito especiais, como, por exemplo, a consciência de que somos mortais. Aprendemos a construir as pontes que levam a um entendimento superior do mundo e de nossa condição. Isso é o que nos diferencia e nos torna completamente humanos. Um desequilíbrio nesse processo pode ter consequências. É aí que entra a explicação psicanalítica para o ingresso no universo das drogas. Aprender a falar, ou tornar-se humano, é algo que não ocorre espontaneamente. É uma reação a uma perda do estado permanente de satisfação completa com a qual somos confrontados na primeira infância. Ou seja, o processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro.

Com que consequências?
Isso faz com que estejamos cada vez menos preparados para lidar com o sofrimento da nossa condição humana. Há séculos que as drogas têm algo de paraíso artificial, como diz Baudelaire. Ou seja, uma forma de se refugiar da dor humana, da insatisfação. As drogas sempre serviram para evitar o confronto com esse sofrimento. Quanto menos você está preparado a suportar as dificuldades, mais está inclinado a se evadir, a recorrer a substâncias, sejam as drogas ilícitas, sejam as medicamentosas, para limitar o sofrimento que vai se apresentar. Com o desenvolvimento da farmacologia, essas substâncias se tornaram muito acessíveis. Isso pode criar distorções. É muito mais simples tomar uma Ritalina para não ser hiperativo do que fazer todo o trabalho de aprender a suportar a condição humana. Quando criança, a pessoa já precisa ser confrontada com a condição humana da perda de satisfação. Dessa maneira, na idade adulta, sua relação com o fim de uma paixão amorosa, por exemplo, tem maiores chances de ocorrer de maneira mais aceitável e menos traumática.

Por que as drogas têm apelo especial para os jovens?
Eles são mais sensíveis a esse fenômeno porque têm uma tendência espontânea a, quando se tornam adultos, ser novamente confrontados com as dificuldades da existência. É, de certa forma, a repetição daquilo que haviam vivenciado na infância, quando foram, ou deveriam ter sido, apresentados à ideia de perda da satisfação completa, de que não ficariam com a chupeta na boca a vida inteira, por exemplo. Se, no ambiente em que esses jovens vivem, há uma abundância de produtos que funcionam como um meio de evitar essas dificuldades, eles mergulham de cabeça. Como também veem nisso certo caráter transgressivo, todas as condições estão dadas para que eles recorram às drogas.

Que conselhos o senhor daria a pais que têm filhos viciados?
É preciso não achar que, pelo fato de os filhos usarem drogas, tudo está perdido. Isso não contribui em nada. Caso contrário, o jovem drogado, além de conviver com o próprio drama, terá de carregar a angústia dos pais sobre os ombros. Esse é o momento em que os pais devem aceitar que algo não funcionou direito em vez de tratar o problema como se tudo estivesse perdido. Nem sempre está.

Há alguma terapia que funcione contra a dependência química?
Cada caso requer um trabalho. Não existe terapia milagrosa. Há tentativas interessantes, de pessoas que se ocupam de refazer com o sujeito o trabalho de suportar as frustrações, as impossibilidades, os limites. Esse trabalho pode ajudar as pessoas a se livrar da dependência. Não existe até hoje uma droga que chegue a resolver o problema da droga. Momentaneamente, a pessoa pode até ficar contente se conseguir se tornar um pouco menos ansiosa, mas é preciso ver que efeito isso tem a longo prazo.

Existem dependentes irrecuperáveis?
A psiquiatria não é uma ciência universal, ela não diz o que vale para todos, ou mesmo para uma série de pacientes. É preciso trabalhar sempre caso a caso. Mas eu não diria nunca que um viciado em drogas é irrecuperável. Existem outros elementos em jogo que precisam ser considerados. Não há dependência química que não seja fruto de uma interação malsucedida entre o contexto social em que o indivíduo está inserido e o seu trajeto singular desde a infância.

Pouco mais de um mês atrás, no Rio de Janeiro, um rapaz viciado em crack matou uma amiga que tentava ajudá-lo. O pai do rapaz atribuiu a tragédia à dificuldade de internar o filho. O senhor é favorável à internação de dependentes químicos?
Essa é uma questão complicada mesmo. Na Europa, de modo geral, optamos cada vez menos pela internação de dependentes químicos. Quando a internação é necessária, esperamos que ela se dê de forma voluntária. Nos casos em que isso não é possível, a internação dura em média quarenta dias e é acompanhada de medidas administrativas para evitar abusos que já aconteceram, de internações excessivamente longas. Nesse aspecto, minha posição é como a dos europeus de maneira geral. Ficamos um pouco divididos entre manter nosso princípio democrático de que, mesmo doente, cada um tem o direito de dar sua opinião e, por outro lado, ter de reconhecer que em determinadas situações isso não é possível.

Costuma-se atribuir o mau comportamento dos filhos à falta da estrutura familiar tradicional, como a que ocorre após uma separação. Qual a exata influência que isso pode ter?
Uma família organizada de forma aparentemente harmônica não necessariamente faz de um jovem uma pessoa capaz de conviver e suportar o sofrimento inerente à condição humana. Essa capacidade pode ser pequena em famílias aparentemente realizadas, com estrutura sólida. Assim como pode ser enorme em uma família conflituosa, dividida, conturbada. Por isso, não se deve levar em conta apenas o aspecto exterior da família. O que vale é a capacidade dos pais de fazer os filhos crescer. De incutir-lhes a verdadeira condição humana. Esse é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha.

O melhor mesmo, então, é aceitar que a existência é sofrida?
O processo é mesmo muito mais complexo do que ocorre com outros animais. Um cão nasce cão e será assim para o resto da vida. Um tigre será sempre tigre. Um humano, no entanto, precisa se tornar plenamente humano. É uma enorme diferença. Esse processo leva uns vinte, 25 anos e está sujeito a percalços. Na Renascença já se falava disso: não somos humanos, nós nos tornamos humanos.

Fonte: http://veja.abril.com.br/091209/ensinem-filhos-falhar-p-021.shtml

Dulce Pontes

Fui bailar no meu batel

Além do mar cruel

E o mar bramido

Diz que eu fui roubar

A luz sem par

Do teu olhar tão lindo

Vem saber se o mar terá razão

Vem cá ver bailar meu coração

Se eu bailar no meu batel

Nao vou ao mar cruel

E nem lhe digo aonde eu fui cantar

Sorrir, bailar viver, sonhar contigo.

_______________________________________________

 

Música belíssima que você pode conferir no:

http://www.youtube.com/watch?v=MSIGWEcR5Dc

Imagem: Jorge Santos

Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 764 outros seguidores

Esclarecimento

Quase todas as imagens aqui publicadas são obtidas na Internet. Agradeço se me informar o nome do autor caso não conste ou se alguma está protegida pelos direitos autorais - copyright.