por Alexandre Pelegi

Há tempos em nossa vida
que contam de forma diferente.

Há semanas que duraram anos,
como há anos
que não contaram um dia.

Há paixões que foram eternas,
como há amigos
que passaram céleres,
apesar de o calendário mostrar
que ficaram por anos
em nossas agendas.

Há amores não realizados
que deixaram olhares de meses,
e beijos e abraços não dados
que até hoje
esperam o desfecho.

Há trabalhos
que tomaram décadas
de nosso tempo na Terra,
mas que nossa memória insiste
em contá-los como semanas.

E há casamentos que,
ao olharmos para trás,
mal preenchem
os feriados da folhinha.

Há tristezas
que nos paralisaram por meses,
mas que hoje,
passados os dias difíceis,
mal guardamos
a lembrança de horas.

Há eventos que marcaram,
e que duram para sempre:
o nascimento do filho,
a morte da avó,
a viagem inesquecível,
o êxtase do sonho realizado.

Estes têm a duração
que nos ensina o significado
da palavra “eternidade”.

Já viajei para a mesma cidade
uma centena de vezes,
e na maioria das viagens
o tempo do percurso
foi (quase) o mesmo.

Mas conforme meu espírito, houve viagem
que não teve fim até hoje,
como há também o percurso
que nem me lembro de ter feito,
tão feliz estava eu na ocasião.

O relógio do coração,
hoje descubro,
bate em freqüência diversa
daquele que carrego no pulso.

Marca um tempo diferente,
o das emoções que perduram
e que mostram
o verdadeiro tempo
da existência da gente.

Por este relógio,
velhice é coisa de quem
não conseguiu esticar o tempo
que temos no mundo.

É olhar as rugas…
e não perceber a maturidade
e a experiência adquiridas.

É pensar antes
naquilo que não foi feito,
ao invés de se alegrar e sorrir
com as lembranças do que viveu.

Pense nisso.
Consulte sempre
o relógio do coração!
É ele que lhe mostrará
o verdadeiro tempo da vida…

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