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por Mário Quintana

“A vida é o dever
que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê
perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dada outra oportunidade,
Eu nem olharia o relógio…
…Seguiria sempre em frente
e iria jogando pelo caminho
a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente
e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer
algo de que gosta
devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado
por puro medo de ser feliz:
A única falta que sentirás
será a desse tempo, que infelizmente, jamais voltará!”

 

Este foi um belo presente da Drª Adriana Benazzi, que compartilho com todos. Um abraço, Suzy Belai 

  

  

LAÇO E O ABRAÇO

Mário Quintana

 
  

Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço…

uma  fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto:
 

está dado o laço. 

É assim que é o abraço: coração com coração, 

tudo isso cercado de braço. 

É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, 

no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
 

Vai escorregando…devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer
 

a qualquer hora,deixando livre as duas bandas do laço. 

Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita,
 

sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso…
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
 


Se tu me amas,
ama-me baixinho.

   Não o grites de cima dos telhados
   Deixa em paz os passarinhos.

      Deixa em paz a mim!

         Se me queres,
         enfim,

            tem de ser bem devagarinho,
            Amada,

               que a vida é breve,
               e o amor
               mais breve ainda…

Mário Quintana

 
 

Internet

por Clarisse Lispector

Já escondi um amor com medo de perdê – lo,
Já perdi um amor por escondê – lo…
Já segurei nas mãos de alguém por estar com medo,
Já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.

Já expulsei pessoas que amava de minha vida,
Já me arrependi por isso…
Já passei noites chorando até pegar no sono,
Já fui dormir tão feliz,
Ao ponto de nem conseguir fechar os olhos…

Já acreditei em amores perfeitos,
Já descobri que eles não existem…
Já amei pessoas que me decepcionaram,
Já decepcionei pessoas que me amaram…

Já passei horas na frente do espelho
Tentando descobrir quem sou,
Já tive tanta certeza de mim,
Ao ponto de querer sumir…

Já menti e me arrependi depois,
Já falei a verdade
E também me arrependi…
Já fingi não dar importância a pessoas que amava,
Para mais tarde chorar quieto em meu canto…

Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
Já chorei de tanto rir…
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,
Já deixei de acreditar nas que realmente valiam…
Já tive crises de riso quando não podia…

Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
Outras vezes falei o que não pensava para magoar outros…
Já fingi ser o que não sou para agradar uns,
Já fingi ser o que não sou para desagradar outros…

Já senti muita falta de alguém,
Mas nunca lhe disse…
Já gritei quando deveria calar,
Já calei quando deveria gritar…

Já contei piadas e mais piadas sem graça,
Apenas para ver um amigo mais feliz…
Já inventei histórias de final feliz
Para dar esperança a quem precisava…
Já sonhei demais,
Ao ponto de confundir com a realidade…

Já tive medo do escuro,
Hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”…
Já caí inúmeras vezes
Achando que não iria me reerguer,
Já me reergui inúmeras vezes
Achando que não cairia mais…

Já liguei para quem não queria
Apenas para não ligar para quem realmente queria…
Já corri atrás de um carro,
Por ele levar alguém que eu amava embora.

Já chamei pela mãe no meio da noite
Fugindo de um pesadelo,
Mas ela não apareceu
E foi um pesadelo maior ainda…

Já chamei pessoas próximas de “amigo”
E descobri que não eram;
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada
E sempre foram e serão especiais para mim…

Não me dêem formulas certas,
Porque eu não espero acertar sempre…
Não me mostre o que esperam de mim,
Porque vou seguir meu coração!…
Não me façam ser o que eu não sou,
Não me convidem a ser igual,
Porque sinceramente sou diferente!…

Não sei amar pela metade,
Não sei viver de mentiras,
Não sei voar com os pés no chão…
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!

Internet

por Clarice Lispector

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.

Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.

Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu…
“…não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero…”.
Um idealista…Um verdadeiro sonhador…

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.

Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.

Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.

Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:

“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer”

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.

Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.

Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.

Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

De acordo com Reich, a vida só pode ser realmente vivida com plena presença, pela capacidade de se entregar e ser quem se é verdadeiramente. 

Essa visão está presente neste poema de Fernando Pessoa, assinado com o heterônomo de Ricardo Reis.

 

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim como em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”

 Clarice Lispector

 

 

 

Faces de uma mesma mulher 

Especial!!!!  

 

 

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Não te amo mais

Estarei mentindo dizendo que

Ainda te quero como sempre quis

Tenho certeza que

Nada foi em vão

Sinto dentro de mim que

Você não significa nada

Não poderia dizer mais que

Alimento um grande amor

Sinto cada vez mais que

Já te esqueci!

E jamais usarei a frase

Eu te amo!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade

É tarde demais…

____________________________

Para mostrar a outra face, te convido para ler de baixo para cima.

Por Tahyane Rangel

 

Como as pétalas de uma flor,
a vida desabrocha em versos
e os olhos admiram a viva poesia.
 
Palavras com perfume de terra,
rimas com cheiro de flores,
momentos perfumados,
brilham orvalhados
pelas lágrimas da saudade
de tempos passados.
 
Vida, uma poesia eterna
onde os versos do amanhã
esperam o brilho dourado do sol
para adormecer sob a luz das estrelas.

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